em briga de marido e mulher...


Quando se fala em Brasília, todo mundo logo associa com Congresso, política, STF, corrupção. Mas a verdade é que, apesar de morar próxima à Praça dos 3 Poderes, não costumo encontrar políticos nem convivo com eles. A vida é de uma cidade normal, com suas particularidades. As histórias de violência são as de sempre.   

Quando eu tinha 19 anos recém completos e carteira de motorista recém tirada, um ex namorado de uma amiga nos seguiu pelo plano piloto inteiro de carro. Duas jovenzinhas em pânico sem saber o que fazer e, na época, sem smartphones. Seguimos para a quadra dela e ele nos seguiu até lá.

Ele a agrediu embaixo do prédio – a arrastou para um lugar onde o porteiro não visse. Mas o porteiro a viu sendo arrastada pelos pulsos e viu que ela resistia e gritava para ele soltar. Quando perguntaram para o porteiro porque ele não fez nada, ele simplesmente respondeu que ela chamava o agressor pelo nome e, por isso, o conhecia. É a máxima que até hoje nos revolta. Em briga de marido e mulher...

Mais ou menos na mesma época, outra amiga foi espancada. Dessa vez pelo namorado. Ela saiu com amigos e o encontrou no posto da igrejinha por acaso. Para quem conhece a asa sul, é aquele da 307, onde quase ao lado existe hoje um nada desativado. Começaram a discutir e ele literalmente a tirou do carro, bateu nela, a jogou no chão e chutou. Ninguém interveio. Ao lado, onde hoje existe aquele nada desativado, era um posto de polícia na época.




A história da advogada que caiu do quarto andar me lembrou essas e outras histórias. O ex marido de uma amiga certa vez colocou uma arma apontada para sua cabeça, ameaçando matá-la. Depois colocou a arma na própria cabeça, ameaçando se matar. Uma outra amiga foi violentamente empurrada contra a parede pelo ex marido quando estava grávida (perdeu o bebê).

Tive um ex que em nosso último dia debaixo do mesmo teto achou que podia me segurar pelo pescoço, me empurrar contra a parede. Só que eu não tinha mais 19 anos nem me assustava mais facilmente. Imediatamente, deixei claro que o mataria se ele voltasse a ensaiar encostar em mim. Dissimulado e manipulador, porém covarde, se afastou de mim.

Não são raros os casos de violência (física ou não). Olhem ao redor. Está bem mais próximo do que a gente quer enxergar e é mais comum do que a gente quer admitir. Como Pilatos, lavamos as mãos. Ninguém viu, ninguém interveio. Vida que segue. É todo dia e em todo lugar.

Estou num relacionamento estável com um homem e afirmo que precisamos ter medo de homens. Isso não é sobre odiar homens. É sobre afirmar, infelizmente, o óbvio. Eles são quem mais mata a eles mesmos. E eles são quem mais nos mata - e como diz ESTE texto, um homem descontrolado e agressivo pode matar uma mulher. Sim, este homem pode ser aquele que amamos.

É preciso temer pela sua vida se o cara esconde a chave para você não sair, pela vida da amiga que toma uns tapas, pela vizinha que grita pedindo ajuda, pela colega que esconde as marcas roxas, pela desconhecida que é arrastada pelo cabelo na rua. Histórias de mulheres assassinadas pelo parceiro são comuns. Anotem: aqueles que gritam descomedidos, ameaçam, prensam na parede, seguram, batem e mostram descontrole em momentos de desentendimento são, sim, potenciais assassinos 😉 

Não tenha medo do seu parceiro, livre-se dele. Nenhuma mulher deve viver com um homem que inspire medo. Reconhecer que estamos dormindo com o inimigo é questão de sobrevivência. É preciso amor próprio e pés no chão. Nenhum homem vale o sacrifício. É uma grande roubada a crença de que a força do amor vai fazê-los mudar. Precisamos ensinar nossas filhas e netas a não serem românticas ao ponto de não perceberem que o príncipe é na verdade um sapo.


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