ideias para aumentar a taxa de fecundidade

 Os dados sobre Fecundidade investigados pelo Questionário da Amostra do Censo Demográfico 2022, divulgados há poucos dias pelo IBGE, confirmaram o que se esperava: as mulheres do país estão tendo menos filhos e adiando cada vez mais a maternidade. Também cresceu bastante a proporção de mulheres que chegaram ao final da vida reprodutiva sem terem sido mães. Essas tendências demográficas se repetem, com maior ou menor intensidade, em todas as unidades da federação, mostrando diferenças por cor ou raça, níveis de instrução e, também, por grupos religiosos. Detalhes AQUI

Ou seja, o Brasil atingiu a menor taxa de fecundidade já registrada: 1,6 filho por mulher, e tem muita gente preocupada com o decréscimo e o envelhecimento da população, previdência, mercado de trabalho e todas essas coisas que podem encolher junto com o encolhimento populacional. Numa boa, quem pode culpar as mulheres por não se sentirem exatamente animadas com a perspectiva de serem mães? Como é a realidade, o cotidiano, das mães? 

Enquanto conservadores e delusionais tentam forçar o aumento populacional proibindo aborto e demonizando educação sexual, eu tenho algumas ideias diferentes para combater a queda na taxa de fecundidade. Tudo começa por melhorar o atendimento médico de mulheres antes, durante e depois da gravidez. E não só em ginecologia e obstetrícia, mas em todas as especialidades. Até em atendimento psiquiátrico é necessário mais humanidade e um entendimento melhor das especificidades femininas, questões sociais e também hormonais, etc. 

Na medicina, a violência obstétrica precisa acabar. Não é justo que, no momento em que estão mais vulneráveis, mulheres sejam vítimas de violência. É surreal pensar que na nossa sociedade a mulher não tem paz e segurança nem na hora de parir. As mães deveriam ter, também, uma proteção materna especial, que inclua um período de afastamento do trabalho antes e depois do parto, durante o qual elas recebem uma compensação financeira para garantir seu sustento (e isso não se confunde com licença maternidade, que é outra coisa). 

A licença não deveria ser maternidade, mas sim parental. Um período de 2 anos que pode ser dividido como os pais preferirem. No primeiro ano a mãe fica com o bebê enquanto o pai trabalha, no segundo ano eles trocam, por exemplo. Ah, e precisa ter creche disponível e com pessoal bem educado, bem treinado e bem pago para tomar conta das crianças. Além disso, os pais (licença parental, lembra?) devem ter a garantia de poder retornar e permanecer em seus empregos, sem medo de demissão.

De mais a mais, segurança pública e economia precisam melhorar como um todo, para que haja melhores condições de ter, criar e educar filhos. E, caso os pais decidam se separar e ocorra algum tipo de violência, judiciário e autoridades policiais precisam ser melhores do que são, precisam ter perspectiva de gênero.

Essas são apenas algumas ideias de como convencer mulheres a terem mais filhos. Mas pode ser que, mesmo implementando todas elas, as mulheres ainda assim não sejam convencidas, caso a sociedade e os homens não mudem.